GPHIDRO GEODÉSIA E HIDROGRAFIA
MB TPU TOTAL PROPAGATED UNCERTAINTY

Ajuda Técnica do MB TPU

Documento técnico de apoio ao uso do módulo MB TPU, dedicado à estimativa a priori da incerteza vertical total e da incerteza horizontal total em levantamentos batimétricos multifeixe, com foco na estrutura funcional da interface, no uso da biblioteca de equipamentos, na lógica dos presets e na interpretação coerente dos resultados.

Escopo

Esta ajuda técnica descreve a estrutura funcional do módulo, os parâmetros herdados da aba de geometria, a lógica de aplicação dos presets, a criação e a validação de bibliotecas, os critérios de conversão metrológica e a interpretação das saídas numéricas e gráficas.

TVU e THU Biblioteca TPU Presets Validação

Sumário

1. Finalidade do módulo

O MB TPU é um módulo destinado à estimativa a priori da incerteza propagada em levantamentos batimétricos multifeixe. Sua finalidade é integrar, em um mesmo modelo, as principais fontes de incerteza associadas à medição acústica, ao posicionamento, à atitude da plataforma, aos offsets e desalinhamentos entre sensores, às reduções verticais e a fontes adicionais informadas pelo usuário, produzindo curvas de TVU e THU ao longo do swath para apoio ao planejamento e à comparação de cenários.

O resultado do módulo constitui um orçamento a priori de propagação de incertezas. Sounding real, resíduos, superfícies ajustadas e verificação cruzada pertencem ao controle a posteriori do levantamento.

2. Organização geral da aba

A aba é organizada em quatro blocos operacionais. O primeiro reúne os parâmetros herdados da aba MB Density and Coverage. O segundo reúne a Biblioteca de Equipamentos TPU, com presets para cinco categorias. O terceiro reúne as abas de parametrização usadas no cálculo. O quarto reúne as saídas numéricas, gráficas e textuais.

  • Parâmetros herdados da geometria
  • Biblioteca TPU e presets
  • Abas de parametrização manual
  • Resultados, gráficos, navegador e relatório

3. Biblioteca de equipamentos e presets

A biblioteca atua como camada de preenchimento assistido da interface. Cada preset corresponde a uma rotina específica de aplicação. Os presets simples preenchem campos isolados ou pares diretos. O preset multibeam, além disso, também sobrescreve parâmetros herdados da geometria nominal.

NavigationPreenche a acurácia planimétrica do posicionamento.
Gyro or HeadingPreenche o campo de heading.
Roll and PitchAplica o mesmo sigma aos campos de roll e pitch.
HeavePreenche o campo de heave observacional.
MultibeamPreenche modelo, pulse length, range do MBES, incerteza angular across track e sobrescreve frequência, número de feixes, beamwidth across, beamwidth along e abertura angular.
Conferência obrigatóriaA métrica associada aos valores preenchidos por presets deve ser conferida manualmente na interface.

4. Fluxo operacional com a biblioteca

  1. Carregue a biblioteca desejada ou confirme que a biblioteca ativa é a correta.
  2. Valide a biblioteca ativa quando houver dúvida estrutural.
  3. Selecione os presets necessários para cada categoria.
  4. Revise manualmente os campos preenchidos e suas métricas.
  5. Execute o cálculo e interprete as saídas numéricas e gráficas.
  6. Quando houver necessidade de criar ou ajustar presets, abra o editor externo da biblioteca, salve as alterações e recarregue a biblioteca ativa.
Alterações feitas em arquivo externo só produzem efeito após a recarga da biblioteca ativa na sessão do executável.

5. Botões da área de biblioteca

Biblioteca. Permite selecionar um arquivo de biblioteca em formato .py. O arquivo escolhido substitui a biblioteca ativa do módulo e o arquivo anterior é preservado com backup .bak.

Validar biblioteca. Verifica a estrutura da biblioteca ativa, a presença dos campos obrigatórios e a conformidade das métricas declaradas com o conjunto aceito pelo módulo.

Criar ou editar biblioteca. Abre o editor externo destinado à criação, edição, duplicação, exclusão, filtragem e validação de presets.

6. Estrutura lógica da biblioteca

A biblioteca de equipamentos é um arquivo Python estruturado em três blocos principais, SPEC_TYPES, REQUIRED_PRESET_KEYS e EQUIPMENT_LIBRARY. As categorias operacionais reconhecidas automaticamente pela aba são multibeam, navigation, gyro_heading, roll_pitch e heave.

Categorias adicionais permanecem como conteúdo documental enquanto não houver consumo explícito pela interface da aba.

7. Campos efetivos e campos documentais da biblioteca

Nem todo campo existente em um preset produz efeito direto no cálculo. Nos presets simples, o campo efetivamente consumido pela aba para preenchimento automático é sigma. Fabricante, especificação original, condição operacional, métrica original e observações técnicas cumprem função de rastreabilidade documental.

No preset multibeam, os campos com efeito automático incluem modelo, frequência, número de feixes, beamwidth across, beamwidth along, abertura angular, pulse length, incerteza de range e incerteza angular across track. A métrica associada a esses valores deve ser conferida manualmente na interface.

8. Regras de validação da biblioteca

A validação estrutural verifica se cada categoria está organizada como lista, se cada preset é um dicionário, se os campos obrigatórios estão presentes, se os IDs não se repetem dentro da mesma categoria e se as métricas declaradas pertencem ao conjunto aceito em SPEC_TYPES.

A validação estrutural não verifica consistência física, atualidade de catálogo, suficiência metrológica nem adequação operacional do preset ao cenário de levantamento.

9. Editor externo da biblioteca

O editor externo permite abrir biblioteca existente, salvar, salvar como, criar categoria, renomear categoria, excluir categoria, criar equipamento, duplicar equipamento, excluir equipamento, gerar ID interno, gerar texto exibido no combo, aplicar alterações ao item atual, filtrar presets, validar a biblioteca e inserir campos extras por JSON de uma chave por linha.

O painel explicativo do editor informa quais categorias têm consumo automático pela aba e quais permanecem apenas como conteúdo documental.

10. Entradas herdadas da aba MB Density and Coverage

SistemaIdentificação operacional do sistema na aba e no relatório.
ProfundidadeControla o range nominal, a extensão lateral e os limites normativos dependentes da profundidade.
Abertura angularDefine a abertura do swath usada na discretização e na propagação.
Beamwidth acrossEntra no motor como termo efetivo associado ao footprint across track.
Beamwidth alongEntra no motor como termo efetivo associado ao footprint along track.
Velocidade do somÉ usada no efeito do comprimento de pulso e na transformação das incertezas de velocidade do som em perturbações angulares equivalentes.
FrequênciaÉ mantida como metadado do sistema, sem papel direto na propagação física atual.
Número de feixesControla a resolução da discretização ao longo do swath, limitada internamente a uma faixa operacional.

11. Entradas da interface e papel no cálculo

Multibeam System
  • Pulse length, incerteza de range, incerteza angular across track do feixe e offsets do MBES entram na propagação.
  • O campo de modelo identifica operacionalmente o sistema na aba.
Position System
  • Acurácia horizontal, acurácia vertical e offsets da antena GNSS entram no cálculo.
  • O modo GNSS tem função classificatória e documental na interface; ele não introduz, por si só, nova componente física no modelo.
Motion Sensor
  • Roll, pitch, heave e offsets da IMU entram na propagação.
Heading or Gyro System
  • Heading e parâmetros de patch test entram como rotações do sistema.
Vessel Parameters
  • Draft, settlement e load entram como componentes verticais independentes.
Environmental Parameters
  • Redução vertical, incertezas de velocidade do som, velocidade da embarcação e latências entram no cálculo.
Project Information
  • Contratante, cliente, projeto, operador e data compõem o contexto documental do relatório e não alteram a propagação física.

12. Métricas aceitas e conversão para 1σ

O software aceita diferentes métricas de especificação, incluindo , RMS 1D, RMS legado, DRMS, 95% Confidence, CEP, 95% CEP e 2DRMS. Todas essas formas de entrada são convertidas internamente para incerteza padrão, , antes da propagação. A métrica selecionada deve, portanto, ser coerente com a forma sob a qual a especificação foi originalmente publicada pelo fabricante, adotada em preset ou estimada pelo usuário.

O operador não deve presumir que todos os campos precisam ser informados exclusivamente a 95 por cento. O requisito real é coerência metrológica entre valor numérico, métrica selecionada e natureza física da grandeza representada.
Nota técnica sobre métricas, conversão interna e interpretação da coluna “Tipo”.

Toda grandeza propagada pelo motor é convertida internamente para incerteza padrão, isto é, para um desvio padrão , antes da formação da matriz de covariância e do cálculo final de TVU e THU. Em consequência, o valor informado na interface ou carregado por preset não é utilizado diretamente em sua forma original de catálogo. Ele é primeiro reinterpretado segundo a métrica selecionada e convertido para a forma estatística adotada internamente pelo modelo.

As métricas de especificação aceitas pelo motor têm os seguintes significados operacionais. , RMS 1D e RMS legado são tratados diretamente como desvio padrão escalar. DRMS é interpretado como distância RMS bidimensional sob hipótese isotrópica e convertido para por divisão por √2. 95% Confidence é convertido por divisão por 1,96 para grandezas lineares e angulares e por divisão por 2,4477468307 para grandezas planimétricas radiais. CEP, 95% CEP e 2DRMS são convertidos, respectivamente, pelos fatores 1,1774100225, 2,4477468307 e 2,8284271247.

A coluna Tipo da tabela de detalhamento não tem significado único e deve ser interpretada segundo a natureza da linha correspondente. Quando a linha representa uma especificação instrumental, uma entrada manual com métrica explícita ou um valor proveniente de preset, o campo Tipo representa a métrica de especificação da entrada, por exemplo , RMS 1D, DRMS, 95% Confidence, CEP, 95% CEP ou 2DRMS. Nessa situação, o valor mostrado ainda não corresponde ao parâmetro efetivamente propagado, mas à forma sob a qual a especificação foi fornecida ao software. O parâmetro efetivamente utilizado surge apenas após sua conversão para .

Quando a linha da tabela corresponde a uma fonte customizada, a coluna Tipo passa a representar a distribuição estatística assumida, e não mais uma métrica de catálogo. As opções admitidas são normal, rectangular e triangular. Para a distribuição normal, o valor informado é interpretado segundo a convenção interna adotada para esse grupo e convertido para por divisão por 1,96. Para a distribuição rectangular, a conversão é feita por divisão por √3. Para a distribuição triangular, a conversão é feita por divisão por √6.

Existe ainda um terceiro caso. Algumas linhas da tabela descrevem grandezas nominais, geométricas ou operacionais, empregadas para definir a geometria do sistema, o envelope operacional ou a configuração de referência do modelo. Nessas situações, o campo Tipo pode aparecer com qualificações como nominal, determinístico ou formulação equivalente. Nesses casos, o valor mostrado não representa uma métrica probabilística de catálogo nem uma distribuição estatística independente, mas um parâmetro de referência utilizado pelo modelo geométrico do sounding.

Em síntese, a coluna Tipo deve ser interpretada em conjunto com a linha em que aparece. Conforme o caso, ela pode representar a métrica de especificação original, a distribuição estatística assumida ou a natureza nominal do parâmetro. A leitura correta da tabela exige distinguir rigorosamente entre parâmetro nominal, métrica de catálogo, distribuição estatística e incerteza padrão efetivamente usada na propagação.

13. Estrutura essencial do modelo de cálculo

O modelo adota uma representação geométrica do sounding e propaga as incertezas por derivadas numéricas centrais sobre a posição final do ponto no espaço. Em forma resumida,

r₀ = depth / cos(θ) p = r + t Cp = J Cq Jᵀ TVU95 = 1.96 σV THU95 = 2.45 σH

O TVU a 95 por cento é calculado com fator 1.96. O THU a 95 por cento é calculado com fator 2.45. Essa diferença precisa ser respeitada na interpretação das curvas e nos textos técnicos derivados do módulo.

14. Correlações e fontes customizadas

O motor prevê correlações opcionais entre pares específicos de componentes, como roll com patch roll, pitch com patch pitch, heading com patch yaw, heave com redução vertical e pares horizontais de posição, movimento e montagem. Na operação usual da aba, essas correlações tendem a permanecer nulas, porque a interface padrão não expõe um painel dedicado para edição desses coeficientes.

Fontes customizadas podem ser adicionadas com nome, valor, distribuição e eixo. O motor converte a distribuição escolhida para incerteza padrão antes de agregá-la ao orçamento horizontal, ao orçamento vertical ou a ambos, conforme o eixo selecionado.

  • Normal. O valor é convertido para segundo a convenção normal interna adotada para esse grupo.
  • Rectangular. O valor é convertido para por divisão por √3, hipótese apropriada quando só se conhece um intervalo finito de variação com plausibilidade uniforme.
  • Triangular. O valor é convertido para por divisão por √6, hipótese apropriada quando os valores centrais são considerados mais plausíveis do que os extremos dentro de um intervalo finito.
As distribuições rectangular e triangular pertencem ao formalismo metrológico de avaliação de incerteza, sobretudo para componentes do tipo B. Sua utilização exige justificativa técnica compatível com a natureza da entrada modelada.

15. Interpretação dos resultados

A aba apresenta métricas sintéticas de TVU e THU, um navegador textual de limites, uma tabela detalhada de incertezas e quatro blocos gráficos principais. As curvas principais mostram TVU e THU ao longo do swath. O gráfico de contribuição resume a participação percentual das componentes verticais e horizontais mais relevantes para os máximos calculados. O gráfico de sensibilidade mostra a variação dos máximos de TVU e THU quando determinados componentes são perturbados positivamente em dez por cento.

Contribuição e sensibilidade devem ser lidas como diagnósticos do cenário configurado. Elas não substituem análise metrológica independente, nem devem ser interpretadas como decomposição universal do problema fora das hipóteses adotadas pelo modelo.

16. Heave operacional e cautela de interpretação

A interface permite informar a incerteza observacional de heave, a amplitude operacional máxima de heave e um percentual associado a essa amplitude. No modelo de cálculo do motor, o termo operacional equivalente é derivado a partir desse percentual e da amplitude operacional máxima, sendo então combinado geometricamente com o heave observacional no orçamento vertical. Em consequência, o campo percentual não é apenas documental e interfere efetivamente no resultado quando diferente de zero.

O relatório deve distinguir entre heave observacional do sensor, heave operacional equivalente derivado do envelope de operação e heave total efetivamente usado na propagação.

17. Critérios normativos implementados

O módulo implementa curvas limite para quatro ordens dependentes da profundidade média. Esses limites são usados como referência comparativa direta para os máximos calculados de TVU e THU.

TVUExc = √(0.15² + (0.0075 H)²), THUExc = 1.0 TVUEsp = √(0.25² + (0.0075 H)²), THUEsp = 2.0 TVU1a/1b = √(0.50² + (0.0130 H)²), THU1a/1b = 5.0 + 0.05 H TVU2 = √(1.00² + (0.0230 H)²), THU2 = 20.0 + 0.10 H

18. Boas práticas de uso

  • Use a biblioteca como ponto de partida e não como verdade automática.
  • Revise sempre a métrica associada aos valores preenchidos por presets.
  • Evite dupla contagem entre acurácia global do subsistema e offsets do mesmo subsistema.
  • Não suponha que todo campo visível na interface altera a física do motor.
  • Interprete contribuição e sensibilidade como leitura comparativa do cenário atual, e não como decomposição universal do problema.
  • Reavalie criticamente a estabilidade geométrica em swaths muito abertos, sobretudo nas bordas.
  • Após editar a biblioteca, confirme que a biblioteca ativa foi recarregada antes do uso do módulo.

19. Referências bibliográficas

As referências a seguir sustentam os conceitos metrológicos, estatísticos e normativos utilizados na interpretação do módulo e de suas saídas.

  • JCGM 100:2008. Evaluation of measurement data — Guide to the expression of uncertainty in measurement.
  • JCGM 200:2012. International vocabulary of metrology — Basic and general concepts and associated terms.
  • NIST Technical Note 1297. Guidelines for evaluating and expressing the uncertainty of NIST measurement results.
  • IHO S-44. Standards for Hydrographic Surveys, current edition adopted by the International Hydrographic Organization.
  • Kirkup, L.; Frenkel, R. B. An Introduction to Uncertainty in Measurement.

20. Créditos e contato

Desenvolvido por Prof. Ítalo Ferreira.

Em caso de dúvidas, contatar italo.ferreira@ufv.br.