GPHIDRO GEODÉSIA E HIDROGRAFIA
MB Density and Coverage MULTIBEAM DENSITY AND COVERAGE

Ajuda Técnica do MB Density and Coverage

Documento técnico de apoio ao uso do MB Density and Coverage, com foco em convenções geométricas, hipóteses do modelo, interpretação das visualizações, equações fundamentais e leitura crítica dos indicadores derivados.

Escopo

Esta ajuda técnica apresenta os fundamentos, convenções, equações e critérios adotados pelo MB Density and Coverage, com linguagem técnica voltada à Hidrografia, Geomática e ao planejamento de levantamentos multifeixe.

Geometria MBES Convenções geométricas Equações principais Leitura crítica

Sumário

1. Finalidade do software

O MB Density and Coverage é um módulo de análise geométrica preditiva para levantamentos multifeixe. Seu objetivo é apoiar a avaliação da densidade espacial de amostragem, da cobertura lateral entre linhas, da cobertura longitudinal entre pings, do espaçamento entre linhas e da capacidade geométrica de amostragem sobre alvos teóricos.

O software não substitui a análise de dados reais processados. Trata-se de um modelo geométrico-operacional baseado em profundidade média, abertura angular, velocidade da embarcação, range, taxa de ping, beamwidth e número de feixes.

2. Hipóteses e limitações

  • Adota-se uma profundidade média única para a cena analisada.
  • O fundo é representado geometricamente de forma simplificada, sem modelagem explícita de rugosidade, inclinação local ou resposta acústica real.
  • Os footprints são representados por elipses equivalentes, com finalidade analítica e didática.
  • Os resultados não incorporam diretamente efeitos de atitude da embarcação, ruído, refração espacial variável, filtros de detecção ou pós-processamento.
  • As métricas associadas ao alvo expressam capacidade geométrica de amostragem prevista pelo modelo, não garantia direta de detecção física em dados reais.
Interpretar o atendimento aos critérios geométricos como sinônimo automático de detecção real é conceitualmente incorreto. O software estima a capacidade geométrica de amostragem, não o desempenho integral do sistema em condições reais de aquisição.

3. Convenções espaciais adotadas

ElementoConvenção adotada
Along trackDireção longitudinal da navegação da embarcação.
Across trackDireção transversal ao swath, perpendicular à linha de navegação.
Vista em perfilEixo horizontal em across track e eixo vertical em profundidade.
Vista em plantaEixo horizontal em along track e eixo vertical em across track.
Elipse na plantaLargura da elipse representa o footprint longitudinal e altura representa o footprint transversal.
Na vista em planta, a direção along track é representada no eixo horizontal, enquanto a direção across track é representada no eixo vertical. Assim, o deslocamento sucessivo dos centros de ping ocorre ao longo do eixo horizontal, e a distribuição lateral dos feixes ocorre ao longo do eixo vertical.

4. Interpretação da vista em perfil

A vista em perfil mostra a geometria transversal do swath. Nela, a linha de água é representada na cota zero, o fundo é posicionado na profundidade média informada e os feixes são distribuídos lateralmente segundo o modo de amostragem selecionado.

  • No modo Equidistance, os feixes são distribuídos com espaçamento aproximadamente constante em across track.
  • No modo Equiangular, os feixes são distribuídos por incremento angular aproximadamente constante.
  • Quando a linha adjacente está habilitada, a figura exibe também a geometria correspondente ao espaçamento entre linhas calculado.

5. Interpretação da vista em planta

A vista em planta representa a distribuição espacial dos footprints ao longo de múltiplos pings e, opcionalmente, de linhas adjacentes. Os centros dos pings avançam ao longo do eixo horizontal, enquanto a distribuição dos feixes ocorre no eixo vertical.

  • O eixo horizontal corresponde ao along track, isto é, ao avanço da embarcação.
  • O eixo vertical corresponde ao across track, isto é, à largura do swath.
  • As elipses são desenhadas com largura = footprint longitudinal e altura = footprint transversal.
  • A grade, quando ativada, funciona como referência cartográfica visual para leitura espacial da célula e do alvo.
Na vista em planta, a distribuição gráfica dos footprints corresponde ao conjunto de feixes modelado para a cena analisada, permitindo a avaliação espacial da cobertura ao longo e transversalmente à linha de navegação.

6. Cobertura lateral entre linhas

O espaçamento entre linhas é obtido a partir da largura efetiva do swath e de um fator de cobertura calculado em função do percentual de cobertura lateral especificado no software.

f_c = 1,5 − C_L / 200 S_L = W · f_c Casos particulares: C_L = 100 % → S_L = 1,0 · W C_L = 150 % → S_L = 0,75 · W C_L = 200 % → S_L = 0,50 · W
Definição das variáveis
  • fc, fator de cobertura lateral adotado.
  • CL, cobertura lateral especificada, em porcentagem.
  • SL, espaçamento entre linhas adjacentes, em metros.
  • W, largura efetiva do swath, em metros.
Essa convenção deve ser entendida como convenção própria do MB Density and Coverage para transformar a cobertura especificada em espaçamento entre linhas. Em comparações com outros softwares ou relatórios externos, é prudente explicitar essa definição.

7. Cobertura longitudinal, along track

A cobertura longitudinal no nadir é estimada a partir da relação entre o footprint longitudinal do feixe no nadir e o espaçamento entre centros de pings sucessivos.

Δs_a = V / PR F_a,n = 2H · tan(α / 2) C_a = 100 · F_a,n / Δs_a V_100 = PR · F_a,n
Definição das variáveis
  • Δsa, espaçamento longitudinal entre pings, em metros.
  • V, velocidade da embarcação, em m/s.
  • PR, taxa de ping, em Hz.
  • Fa,n, footprint longitudinal no nadir, em metros.
  • H, profundidade média, em metros.
  • α, beamwidth longitudinal, informado em graus na interface e convertido para radianos nos cálculos.
  • Ca, cobertura longitudinal no nadir, em porcentagem.
  • V100, velocidade limite para 100 % de cobertura longitudinal, em m/s.
Cobertura longitudinal igual a 100 % significa, neste modelo, igualdade entre o footprint longitudinal no nadir e o espaçamento entre centros de pings consecutivos.

8. Modelo geométrico dos feixes

O modelo geométrico dos feixes é construído a partir da profundidade, da abertura angular efetiva do swath, do número total de feixes e do modo de distribuição selecionado.

Modo Equidistance: x_i = −W/2 + W · i / (n − 1) θ_i = arctan(x_i / H) Modo Equiangular: Δθ = θ_ef / (n − 1) θ_i = −θ_ef / 2 + i · Δθ x_i = H · tan(θ_i)
Definição das variáveis
  • xi, posição lateral do feixe i, na direção across track.
  • θi, ângulo do feixe i em relação ao nadir.
  • W, largura efetiva do swath, em metros.
  • n, número total de feixes.
  • H, profundidade média, em metros.
  • θef, abertura angular efetiva do swath.
  • Δθ, incremento angular entre feixes no modo equiangular.

9. Footprints e elipses equivalentes

Para cada feixe, o software calcula uma área equivalente de insonificação a partir dos beamwidths longitudinal e transversal. Essa área é representada por uma elipse equivalente para facilitar a análise espacial.

R_s = H / cos(θ) F_a = 2R_s · tan(α / 2) θ_t^- = θ − β / 2 θ_t^+ = θ + β / 2 F_{t,ang} = | H · tan(θ_t^+) − H · tan(θ_t^-) | Resolução em range, CW: R_r = c · τ / 2 Resolução em range, FM: R_r = c / (2B) F_{t,range} = R_r / sen(|θ|) C_{t,efetiva} = min(F_{t,ang}, F_{t,range}) L_{controle} = max(F_a, C_{t,efetiva})
Definição das variáveis
  • Rs, distância inclinada do feixe, em metros.
  • Fa, footprint longitudinal, em metros.
  • Ft,ang, footprint transversal angular, em metros.
  • Rr, resolução em range usada para projetar o limite transversal nos feixes oblíquos.
  • Ft,range, limite transversal imposto pela resolução em range do pulso acústico, em metros.
  • Ct,efetiva, componente transversal efetiva, definida pelo menor valor entre o footprint angular e o limite por resolução em range.
  • Lcontrole, controlador geométrico simplificado, definido pelo maior valor entre o footprint longitudinal e a componente transversal efetiva.
  • c, velocidade do som, em m/s.
  • τ, comprimento de pulso, em segundos. Em modo CW, governa a resolução em range. Na interface, o valor aceito é limitado a 1 a 5000 µs.
  • B, largura de banda, em Hz. Em modo FM, governa a resolução em range após compressão de pulso. Na interface, o valor aceito é limitado a 1 a 500 kHz.
  • α, beamwidth longitudinal.
  • β, beamwidth transversal.
  • θ, ângulo central do feixe em relação ao nadir.
  • θt e θt+, limites angulares do feixe na direção transversal.
A elipse mostrada na planta continua representando o footprint angular equivalente. A componente across efetiva é apresentada separadamente, porque em ângulos oblíquos a resolução em range do pulso acústico pode impor um limite transversal menor que a largura angular projetada no fundo. Esse valor transversal não representa, isoladamente, a resolução geométrica completa do footprint. A interpretação geométrica deve considerar o controlador geométrico simplificado, definido como o maior valor entre o footprint longitudinal e a componente across efetiva. Em CW, a resolução em range é controlada pelo comprimento de pulso. Em FM, é controlada pela largura de banda. Próximo ao nadir, o termo por sen(|θ|) não é aplicado diretamente, pois a formulação se torna singular para θ aproximadamente igual a zero.

10. Range, ping rate e limites físicos

O módulo MB Density and Coverage combina uma tabela de referência de taxa de ping em função do range com um limite físico simplificado baseado no tempo de ida e volta do pulso acústico.

R_min = H / cos(θ_r / 2) Se R ≥ R_min: θ_ef = θ_r Se H < R < R_min: θ_ef = 2 · arccos(H / R) PR_max,f = c / (2R) PR = min(PR_ref, PR_max,f, PR_max,sis)
Definição das variáveis
  • Rmin, range mínimo necessário para acomodar a abertura angular requerida.
  • R, range operacional adotado, em metros.
  • H, profundidade média, em metros.
  • θr, abertura angular requerida pelo usuário.
  • θef, abertura angular efetiva utilizada pelo modelo.
  • c, velocidade do som, em m/s.
  • PRmax,f, taxa máxima de ping imposta pelo limite físico do pulso.
  • PRref, taxa de ping de referência associada ao range.
  • PRmax,sis, taxa máxima de ping admitida para o sistema.
  • PR, taxa de ping adotada.

11. Alvo, célula e critério geométrico 3 × 3

O módulo de alvo trabalha com um alvo quadrado teórico e adota critério geométrico 3 × 3. Isso significa exigir, como referência de avaliação, pelo menos três amostras na direção longitudinal e três na direção transversal dentro da dimensão característica do alvo analisado.

L_c = L_t / 2 Δs_req = L_t / (k − 1) N_a = L_t / Δs_a N_t = L_t / Δs_t N = N_a · N_t k = 3
Definição das variáveis
  • Lc, lado da célula cartográfica associada ao alvo, em metros.
  • Lt, dimensão característica do alvo teórico, em metros.
  • Δsreq, espaçamento máximo admissível para atender ao critério geométrico, em metros.
  • Δsa, espaçamento longitudinal entre amostras, em metros.
  • Δst, espaçamento transversal entre amostras, em metros.
  • Na, número estimado de amostras ao longo do alvo.
  • Nt, número estimado de amostras transversalmente ao alvo.
  • N, número estimado total de amostras sobre o alvo.
  • k, ordem do critério geométrico adotado.
O critério 3 × 3 deve ser interpretado como critério geométrico de amostragem no contexto do software. Ele não substitui, por si só, a avaliação física da detectabilidade do alvo em dados reais.

12. Interseção geométrica local e diagnóstico técnico

Para avaliar a situação local na célula e no alvo, o software verifica se as elipses equivalentes dos feixes interceptam a área retangular de análise. Essa verificação é aplicada tanto à célula cartográfica quanto ao alvo teórico.

((x − x_c)/a)^2 + ((y − y_c)/b)^2 ≤ 1
Definição das variáveis
  • x, y, coordenadas do ponto de teste.
  • xc, yc, coordenadas do centro da elipse equivalente.
  • a, semieixo longitudinal da elipse.
  • b, semieixo transversal da elipse.

A interseção é avaliada geometricamente entre a elipse equivalente e o retângulo de análise, contabilizando-se interseções totais, pings distintos, feixes distintos e linhas distintas. O diagnóstico final combina múltiplas verificações, incluindo cobertura entre linhas, espaçamentos médios, relação entre célula e alvo, contagens estimadas ao longo e transversalmente e contagens geométricas locais sobre o alvo.

Quando o diagnóstico for favorável, isso significa que o cenário atende ao conjunto de critérios geométricos adotados pelo MB Density and Coverage. Ainda assim, permanece necessária a validação crítica em dados reais.

13. Créditos e contato

Desenvolvido por Prof. Ítalo Ferreira.

Em caso de dúvidas, contatar italo.ferreira@ufv.br.