GPHIDRO GEODÉSIA E HIDROGRAFIA
EasyPlanning PLANEJAMENTO HIDROGRÁFICO

Ajuda Técnica do EasyPlanning

Documento técnico de referência para o planejamento geométrico de linhas de sondagem, LS, e linhas de verificação, LV, integrando fundamentação teórica, equações, parâmetros de interface, fluxo operacional e leitura crítica do módulo acoplado ao MBES Calculator.

Escopo

O EasyPlanning é um módulo especializado em geometria de planejamento hidrográfico. Sua função é transformar um eixo linear e uma borda poligonal em um conjunto coerente de LS e LV, com base em critérios normativos ou operacionais, preservando rastreabilidade entre entradas, cálculos e saídas.

Fundamentação teórica Equações e parâmetros Interface integrada Leitura crítica

Sumário

1. Visão geral do sistema

O EasyPlanning é um módulo computacional de apoio ao planejamento hidrográfico, projetado para gerar, de forma sistemática e parametrizável, linhas de sondagem e linhas de verificação a partir de um eixo principal e de uma borda poligonal. O módulo está integrado ao MBES Calculator e organiza sua operação em torno de prévia operacional, execução final, mapa, métricas, resumo técnico e log.

A integração ao MBES Calculator não altera a natureza geométrica do problema tratado. O núcleo do módulo continua sendo a definição espacial das linhas, a estimativa de equidistâncias e a sumarização do esforço operacional. O que muda é o ambiente de uso, que agora é compartilhado com outras ferramentas do software e oferece fluxo mais claro de verificação antes da geração final das saídas.

O EasyPlanning não substitui a análise de cobertura real em dados adquiridos, nem o controle de qualidade a posteriori do levantamento. Sua finalidade é fornecer base geométrica preliminar, coerente e rastreável, para planejamento e comparação de cenários.

2. Fundamentação teórica

O problema tratado pelo EasyPlanning é essencialmente geométrico e pertence à fase de planejamento de levantamentos hidrográficos. Dado um eixo de referência \(\mathbf{c}(s)\), parametrizado pelo comprimento acumulado, e um domínio poligonal admissível \(P\), deseja-se construir linhas que satisfaçam um critério de espaçamento \(\Delta\), derivado de norma, escala ou sensor.

A abordagem adotada é a de geometria computacional determinística. O eixo é consolidado, prolongado nas extremidades, amostrado ao longo de seu comprimento e usado como suporte para a construção de perpendiculares locais. Essas perpendiculares, após recorte pelo polígono efetivo, materializam as LS. As LV são obtidas por curvas offset laterais do eixo consolidado e também recortadas pela borda efetiva.

O valor técnico do módulo reside em traduzir critérios abstratos de espaçamento em objetos lineares navegáveis, preservando coerência entre a geometria da área, o método de cálculo selecionado e as saídas textuais e gráficas entregues ao usuário.

3. Estrutura do módulo integrado

  • Cabeçalho com identificação do módulo e mensagem de prontidão operacional.
  • Botões principais para prévia, execução final, ajuda, relatório e pacote ZIP.
  • Painel esquerdo com identificação, entradas, critérios de LS, parâmetros de LV, buffer, tempo e saídas.
  • Painel direito com métricas resumidas, mapa operacional e resumo técnico.
  • Log de processamento textual para prévia e execução final.
A estrutura operacional descrita nesta seção corresponde ao uso do módulo dentro do MBES Calculator. A documentação concentra-se nos controles disponíveis ao usuário, no fluxo de processamento e nos produtos gerados pela interface de planejamento hidrográfico.

4. Equações fundamentais

As equações abaixo refletem a lógica adotada pelo núcleo do módulo para os métodos efetivamente implementados.

$$A_{ha}=\frac{A}{10000},\qquad L_{km}=\frac{L}{1000}$$
Definição das variáveis
  • $A$, área da borda efetiva, em metros quadrados.
  • $A_{ha}$, área convertida para hectares.
  • $L$, comprimento do eixo, em metros.
  • $L_{km}$, comprimento do eixo em quilômetros.
$$\Delta_{LS}=\left(\frac{0.35\,A_{ha}^{0.35}}{L_{km}}\right)\cdot1000 \qquad \text{ANA, UHE}$$ $$\Delta_{LS}=\left(\frac{0.1\,A_{ha}^{0.25}}{L_{km}}\right)\cdot1000 \qquad \text{ANA, PCH ou CGH}$$
Método ANA
  • $\Delta_{LS}$, equidistância das linhas de sondagem.
  • O tipo ANA seleciona a forma funcional entre UHE e PCH ou CGH.
$$\Delta_{LS}=\left\lceil \max(3h,25)\right\rceil \qquad \text{NORMAM, Monofeixe}$$
Método NORMAM, Monofeixe
  • $h$, profundidade média adotada.
  • O piso de 25 m é aplicado antes do arredondamento superior.
$$W=2h\tan\left(\frac{\theta}{2}\right)$$ $$\Delta_{LS}=\left\lceil 1.5W-W\frac{C_{MB}}{200} \right\rceil \qquad \text{NORMAM, Multifeixe}$$
Método NORMAM, Multifeixe
  • $W$, largura geométrica teórica de varredura.
  • $h$, profundidade média.
  • $\theta$, abertura angular total do swath.
  • $C_{MB}$, cobertura multifeixe informada pelo usuário.
$$\Delta_{LS}=0.005\,E \qquad \text{Escala}$$ $$\Delta_{LS}=\Delta_{manual} \qquad \text{Manual}$$
Métodos Escala e Manual
  • $E$, denominador da escala informada.
  • $\Delta_{manual}$, valor definido diretamente pelo usuário.
$$\Delta_{LS}=2R \qquad \text{Side Scan, cobertura 100\%}$$ $$\Delta_{LS}=R \qquad \text{Side Scan, cobertura 200\%}$$ $$\Delta_{LS}=R\left(1-\frac{\alpha}{100}\right) \qquad \text{Side Scan, cobertura superior a 200\%}$$
Método Side Scan
  • $R$, range lateral do side scan.
  • $\alpha$, altitude relativa considerada no caso de cobertura superior a 200 por cento.
$$\Delta_{LV}=m\,\Delta_{LS}$$
Linhas de verificação
  • $m$, multiplicador discreto selecionado na interface.
  • No modo manual, o valor informado substitui a regra multiplicativa.
$$T=\frac{L_{tot}}{v\cdot1852}+\left(\frac{t_g}{60}\right)(N_s-1)$$
Tempo estimado
  • $T$, tempo estimado em horas.
  • $L_{tot}$, comprimento total de LS e LV.
  • $v$, velocidade da embarcação, em nós.
  • $t_g$, tempo de transição entre segmentos, em minutos.
  • $N_s$, número total de segmentos.

5. Guia de uso, interface e entradas

GrupoCampoPapel na aba integrada
IdentificaçãoProjeto, Local, Cliente, ResponsávelEntram em log, resumo técnico e relatório HTML.
IdentificaçãoEquipamento ou métodoCampo documental. Não altera diretamente as equações.
EntradaArquivo do eixoCamada linear usada como eixo de referência.
EntradaArquivo da bordaCamada poligonal usada como área de recorte.
EntradaDiretório de saídaLocal de gravação do pacote final e dos produtos auxiliares.
ValidaçãoPermitir reprojeção automática quando os dados estiverem em CRS geográficoAdmite entrada em coordenadas geográficas e reprojeta antes do processamento.
LSMétodo de cálculoSeleciona a família de fórmula utilizada para LS.
LSTipo ANAEscolhe a formulação ANA entre UHE e PCH ou CGH.
LSEquipamento NORMAMDistingue monofeixe e multifeixe.
LSCobertura side scanSeleciona a regra geométrica do método side scan.
LSEscala do levantamentoUsada apenas no método Escala.
LSLS manualUsada apenas no método Manual.
LSProfundidade médiaUsada no método NORMAM.
LSAbertura angularUsada no NORMAM multifeixe.
LSCobertura multifeixeUsada no NORMAM multifeixe.
LSRange SSSUsado no método side scan.
LSAltitude relativa SSSUsada apenas para side scan com cobertura superior a 200 por cento.
LVGerar linhas de verificaçãoAtiva ou não a construção das LV.
LVModo das LVSeleciona multiplicador discreto ou modo manual.
LVLV manualUsada apenas quando o modo manual está ativo.
OperaçãoAplicar buffer internoAtiva erosão geométrica da borda antes do recorte.
OperaçãoBuffer internoMagnitude do buffer aplicado à borda.
OperaçãoEstimar tempo de aquisiçãoAtiva o cálculo do tempo estimado.
OperaçãoVelocidade da embarcaçãoUsada na estimativa de tempo.
OperaçãoTempo de transição entre linhasComponente adicional da estimativa temporal.
SaídasCSV simples, CSV expandido, LNW, relatório HTMLControlam quais produtos serão realmente gravados.
O fluxo mínimo coerente é este. Definir saídas, informar eixo, informar borda, definir diretório, revisar o método, rodar prévia operacional e só então executar a geração final.

6. Métodos de cálculo das LS

Cada método representa uma lógica diferente de planejamento. O software executa a fórmula correspondente, mas não faz julgamento hidrográfico completo sobre sua adequação ao ambiente real.

  • ANA. Método empírico dependente da área e do comprimento do eixo.
  • NORMAM, Monofeixe. Regra simples dependente da profundidade média, com piso de 25 m.
  • NORMAM, Multifeixe. Regra geométrica baseada em profundidade, abertura angular e cobertura informada.
  • Escala. Conversão direta da escala em espaçamento.
  • Manual. Valor definido diretamente pelo usuário.
  • Side Scan. Regra geométrica dependente do range lateral e da convenção de cobertura escolhida.
O método NORMAM multifeixe utiliza a largura geométrica teórica calculada pela profundidade e pela abertura angular informadas. A eventual limitação efetiva por range, quando avaliada na aba MB Density and Coverage, deve ser tratada como critério adicional de planejamento e conferência, não como parte automática da fórmula de LS.

7. Geração geométrica das LS e LV

A geometria final das linhas não depende apenas da equidistância calculada. Ela também depende da consolidação do eixo, da consolidação da borda, do prolongamento do eixo e do recorte final pelo polígono efetivo.

$$\mathbf{n}(s)=(-t_y(s),t_x(s))$$ $$\ell_i(\lambda)=\mathbf{c}(s_i)+\lambda\,\mathbf{n}(s_i)$$ $$LS_i=\ell_i\cap P_{clip}$$ $$LV_{n,\pm}=\operatorname{offset}(\Gamma_{ext},\pm n\Delta_{LV})\cap P_{clip}$$
Leitura conceitual
  • \(\mathbf{c}(s)\), eixo parametrizado pelo comprimento acumulado.
  • \(\mathbf{n}(s)\), normal local ao eixo.
  • \(P_{clip}\), polígono efetivo de recorte, com ou sem buffer interno.
O recorte é parte essencial do resultado. Uma equidistância tecnicamente razoável pode ainda gerar geometrias fragmentadas ou operativamente ruins se a borda for muito irregular.

8. Estimativa de tempo e saídas

A estimativa de tempo é opcional e usa a soma dos comprimentos de LS e LV com um termo adicional de transição entre segmentos. Na prática, essa estimativa é útil para comparação preliminar de cenários, mas não deve ser lida como cronograma definitivo de campo.

SaídaCondição de geração
CSV simples LS e LVÉ gravado quando o usuário habilita CSV simples ou LNW.
CSV expandidoÉ gravado quando o usuário habilita CSV expandido.
LNW LS e LVÉ gravado quando o usuário habilita LNW.
Relatório HTMLÉ gravado quando o usuário habilita relatório HTML.
Mapa PNGÉ gravado como apoio ao relatório HTML.
Pacote ZIPConsolida as saídas efetivamente geradas na execução final.
As saídas finais do módulo concentram-se em CSV, LNW, relatório HTML, mapa PNG e pacote ZIP. Produtos vetoriais adicionais podem ser produzidos posteriormente em ambiente GIS a partir das tabelas exportadas, quando necessário.

9. Interpretação do mapa, resumo e log

O painel direito da aba reúne três componentes analíticos complementares. As métricas resumem os valores mais sensíveis para tomada de decisão rápida. O mapa operacional permite inspeção visual da coerência entre borda, eixo, LS e LV. O resumo técnico organiza uma interpretação tabular dos resultados. O log registra a narrativa operacional da prévia ou da execução final.

  • Métricas. Síntese numérica de LS, LV, feições, comprimento e tempo.
  • Mapa operacional. Leitura visual rápida. Não deve ser confundido com peça cartográfica final.
  • Resumo técnico. Tabela interpretativa para leitura estruturada do resultado.
  • Log. Texto de rastreabilidade da sessão, útil para conferência e depuração.
O uso correto da aba integrada depende de combinar essas três leituras. Olhar só o número de LS ou só o mapa costuma ser insuficiente para avaliação responsável do planejamento.

10. Limitações e casos limite

  • CRS inadequado, arquivos vazios ou incompatibilidade geométrica bloqueiam o processamento.
  • Múltiplas linhas ou múltiplos polígonos são reduzidos à geometria dominante para efeito do cálculo.
  • Buffer interno excessivo pode inviabilizar a área de trabalho.
  • Áreas muito recortadas podem fragmentar excessivamente as linhas e inflar a estimativa temporal.
  • O campo Equipamento ou método é documental e não altera a física do cálculo.
A documentação técnica não deve carregar advertências obsoletas sobre falhas antigas de sintaxe nem descrever a ferramenta atual como motor independente. A documentação precisa acompanhar o estado integrado da aplicação.

11. Boas práticas de uso

  1. Defina primeiro o diretório de saída.
  2. Use a prévia operacional antes da execução final.
  3. Confira o CRS efetivamente lido e, quando necessário, ative reprojeção automática.
  4. Não trate a cobertura multifeixe informada como sinônimo de cobertura real medida em campo.
  5. Use o log como instrumento de conferência, não apenas como texto acessório.
  6. Leia o tempo estimado como aproximação operacional preliminar.

20. Créditos e contato

Desenvolvido por Prof. Ítalo Ferreira.

Em caso de dúvidas, contatar italo.ferreira@ufv.br.